Autoconhecimento como fonte do engajamento natural do ser humano

Por: Babi Minamoto – Shri Vivek Wellness Business

Quantas vezes nos deparamos sem ânimo para determinada atividade, seja para trabalhar, cozinhar, arrumar a casa, escrever, se exercitar ou mesmo visitar um amigo.

Esta sensação está associada à falta de energia, que se manifesta fisicamente (o corpo não responde), mentalmente (a mente encontra alto grau de resistência) e energeticamente (nos custa compreender a situação). Quando nos encontramos em alguma dessas situações, fica difícil executar qualquer atividade.

Engajamento significa o ato de participar de modo voluntário para algum trabalho ou atividade. O verbo “engajar” pode ser utilizado no sentido de dedicação, ou seja, fazer algo “com vontade”. Este termo também é bastante comum no sentido de se comprometer a seguir uma carreira.

As palavras explicam. Mas qual é a garantia de que é “voluntário” da minha parte? De que adianta se comprometer e estar infeliz? Qual o meu nível de dedicação em tudo o que faço? Palavras são meras palavras…

Na verdade, o que se vive hoje é uma luta diária, onde ir para o trabalho é um sacrifício, cuidar da família tem se tornado uma obrigação, comer bem é algo impossível, encontrar os amigos é perder tempo…

Isso acontece porque falta capacidade de valorizar (ter clara a necessidade) daquilo que se faz. Falta a compreensão (Vivek) dos benefícios que aquilo proporciona. E essa falta de visão é a causa do não engajamento.

Um caso muito comum que vejo nos meus atendimentos individuais é a pessoa que se queixa da empresa, do chefe, dos colegas e do volume de trabalho. Muitos profissionais têm a expectativa de encontrar a satisfação nas empresas que oferecem melhores condições para eles. Eles acreditam que é a empresa quem precisa fazer alguma coisa para melhorar a sua situação, precisam ser estimulados para estarem satisfeitos.

Colocar no outro a culpa pela própria infelicidade é estabeler uma condição de dependência. Neste tipo de relação existe uma expectativa e, por isso, há frustração quando não se é estimulado com reconhecimentos.

Queremos que o outro nos valorize. Mas qual é o valor que eu dou ao outro, que não é capaz de sustentar o meu interesse nele?

Compreender os fatores que levam o ser humano a valorizar o trabalho e dar-lhes condições para que assumam a sua parcela de responsabilidade pela sua satisfação, é possível através do autoconhecimento.

Através do processo de autoconhecimento resgatamos a sensibilidade, estabelecemos nosso objetivo, questionamos o nosso papel para alcançá-lo e repomos a energia necessária para atuar. Tendo claro o que queremos, naturalmente surge a flexibilidade para atingir o estado de satisfação plena que tanto desejamos.

Engajamento é diferente de motivação, onde é preciso que algo de fora impulsione qualquer (re)ação. O engajamento só é verdadeiro quando é natural. E só é natural se você tem claro por que e para que está ali. Ora, quando eu sei o valor da escolha que fiz, sou capaz de assumir a responsabilidade por estar ali e a luta interna deixa de existir. Se esquecemos o objetivo daquilo que fazemos (seja no trabalho, na família, no lazer…), a mente encontra milhares de justicativas para desfrutar dos conflitos.

Usando o intelecto, somos capazes de relembrar constantemente o objetivo. Assim, a flexibilidade surge e estaremos sempre dispostos a agir para corrigir o que não está me satisfazendo.

Dentro das empresas, as pessoas costumam esquecer que existe uma “relação de empresa”. Parece óbvio, mas não é o que acontece na vida real. Quando passamos a “ver as coisas tal como são”, deixamos de ter expectativas e, ao invés de entrarmos no jogo de queixas e críticas alimentando nossa insatisfação, passamos a ser fonte de transformação a caminho do que buscamos.

Vale lembrar aqui, principalmente para aqueles que costumam dizer “falar é fácil”, que um autoconhecimento verdadeiro trabalha com técnicas físicas, mentais e energéticas. É preciso fazer esforços nas três direções e cuidar da falta de energia atuando aonde ela se origina (uma má alimentação, por exemplo, aumenta a ansiedade, o que impede qualquer tipo de compreensão nesse estado). Se nossa energia está equilíbrada, não precisamos de motivação para nada. Nesse estado, corpo, mente e ação estão sintonizados.

Quando a causa do problema é diagnosticada por um terapeuta professional e os esforços são feitos na direção e medidas corretas, a energia se reestabelece. Voltamos a ser naturais: não carregamos peso, não temos expectativas, somos conscientes das nossas escolhas e, por isso, desfrutamos do que estamos fazendo.

Eu recomendo que você faça essa pergunta a si mesmo: “o que estou fazendo da minha vida?” Responda internamente, com toda a sua sinceridade. Leve o tempo que for necessário.

Saiba que esse trabalho de olhar para dentro, muitas vezes assusta… Assusta porque, quando vemos o nosso lado escuro, não queremos assumir, pois já temos montado o nosso “marketing”. Por fora projetamos sermos os melhores mas, por dentro, estamos nos corroendo, cansados, insatisfeitos, sem inspiração …

O processo de autoconhecimento é o caminho para deixar florescer o seu engajamento, naturalmente. Ser natural é saber o que você quer: ter o objetivo claro, sem projeções. A projeção é mental. É a mente quem projeta, devido à falta de energia.

O autoconhecimento é a fonte de energia para saber o que eu quero da minha vida. É fazer esforços nas 3 direções (física, emocional e energética). E quando sabemos o que queremos, somos capazes de converter o outro (objeto, pessoa) em nossa necessidade. Assim, tomando as rédeas da sua própria vida, o engajamento passa a ser seu estado natural, e você desfruta em qualquer coisa que faça.

Mas, para iniciar esse caminho, primeiro é preciso querer olhar p dentro.


Babi Minamoto é Coach de Shri Vivek Yoga, Terapeuta Ayurvédica e Consultora de Programas de Qualidade de Vida para empresas. Colaboradora do site Nowmastê, coordena as atividades do Yoga Shri Vivek Brasil, ministra treinamentos voltados para Gestão de Stress e conduz diversos projetos em grupo voltados para o autocrescimento.